Você quer me ver sempre, mas cada vez que quer é como se para confirmar se gosta de mim mesmo, para ver se sou mesmo esta pessoa que você pensa que sou. Ao final do encontro, nunca há conclusões; chegamos e saímos umas das outras como na experiência do mar. Saímos úmidas e quietas, uma com saudade da outra, mas quietas – outras essas dessas umas que são a ilusão frágil da projeção: acho eu que ela é ela, quando ela sou eu. Assim procuram-se internamente guiadas pelo engano. Tanto interna é a busca que não a vejo com os olhos físicos e sim com o coração. Tateamos no escuro nossas nervuras sem nos tocarmos... Ah, que contradição – quando não é sim e sim é não. Quando dela me afasto é quando a tenho mais perto, como se eu pudesse ouvir sua voz bem alto me chamando na multidão. Mas quando estamos perto parece que há um abismo invisível; ouço-lhe sussurrar mas não compreendo tuas palavras. Quando choras sou tua lágrima e de tristeza caio no chão. Um momento: Quem chora? Tu? Passei a mão no meu rosto e era eu que estava molhada; era você que tinha caído diante de mim e eu não tinha visto. Agora estávamos nós caídas. Caí em mim e continuei com a vida.
"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata." Texto de Clarice Lispector
Que blog é esse?
Silenciosamente a raíz procura.
Me interessa o que dá impulso
a origem, o fulgor
o Quem por detrás.
"Pois cada um de nós sofre com a idéia de desaparecer, sem ser ouvido e notado, num universo indiferente, e por isso quer, enquanto ainda é tempo, transformar a si mesmo em seu próprio universo de palavras". Milan Kundera
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