Que blog é esse?



Silenciosamente a raíz procura.

Me interessa o que dá impulso

a origem, o fulgor

o Quem por detrás.

"Pois cada um de nós sofre com a idéia de desaparecer, sem ser ouvido e notado, num universo indiferente, e por isso quer, enquanto ainda é tempo, transformar a si mesmo em seu próprio universo de palavras". Milan Kundera



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Solidão, que poeira leve

Tem dias que da vontade de fazer nada.
Dá-me poesia pelo amor de deus porque do resto não entendo.
Exemplo: Maxixe tem gosto de nada, mas é bonito e é até dono do privilégio de trazer o nada em sua polpa. É o metafísico maxixe. Maxixe tem é gosto de meditação. Tem luzes que tem gosto de nada.
Um amigo me perguntou se eu gosto de maxixe. Aí eu perguntei aqui em casa ao pessoal se maxixe tem gosto. Disseram que não. Aí eu falei, "então como é que a criatura me pergunta se eu gosto de maxixe?", ao que minha mãe respondeu "no cozido fica bom". Cozido pode ser comparado ao centro pulsante da vida. Lá tudo se resignifica e engrossa. O cozido é o que reúne o que tem gosto e o que não tem gosto, para depois virar uma coisa só, gostosa. Para os insatisfeitos, ainda comemos com farinha. 
E haxixe? 
- Bom, você sabe que não sou afeito às drogas...
- Sou afeita. A primeira vez que provei foi com Baudelaire. Só que depois que ele morreu, nunca mais...

sábado, 18 de agosto de 2012

Ao Amor e à vida! e àqueles que corporificam isso!


Libação
(Elisa Lucinda)

É do nascedouro da vida a grandeza.
É da sua natureza a fartura
a ploriferação
os cromossomiais encontros,
os brotos os processos caules,
os processos sementes
os processos troncos,
os processos flores,
são suas mais finas dores
As conseqüências cachos,
as conseqüências leite,
as conseqüências folhas
as conseqüências frutos,
são suas cores mais belas
É da substância do átomo
ser partível produtivo ativo e gerador
Tudo é no seu âmago e início,
patrício da riqueza, solstício da realeza
É da vocação da vida a beleza
e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la
com nossos minúsculos gestos ratos
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la,
cheio que é o seu princípio
Todo vazio é grávido desse benevolente risco
todo presente é guarnecido
do estado potencial de futuro
Peço ao ano-novo
aos deuses do calendário
aos orixás das transformações:
nos livrem do infértil da ninharia
nos protejam da vaidade burra
da vaidade "minha" desumana sozinha
Nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar
nos amesquinha.
A vida não tem ensaio
mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
o esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!

domingo, 12 de agosto de 2012

A mãe que eu tenho

Ontem minha mãe comentou, numa reunião familiar onde estavam todos bebendo vinho, que Amanda escrevia coisas lindas, profundas. Eu que antes estava rindo e distraída parei e olhei pra ela. Como assim? Você leu meu diário? Ela disse: Não. Aquilo não é um diário, é um caderno. Mas eu não li tudo.
Ou seja, o que define um diário? Um simples cadeado? Não sei se o erro foi meu de não ter escrito na capa "Diário. Proibida a leitura", ou de não ter colocado um cadeado ou se o erro foi dela de não ter imaginado que ali poderiam estar confissões muito íntimas. De qualquer maneira, eu só senti muito porque as coisas que estão no meu diário não estão bem escritas... Tem muitos erros e às vezes não digo da forma adequada. Eu preferia mil vezes que ela lesse os textos na integra digitados no word; lá estão mais elaborados, só não tem os grafismos que são tão interessantes.

Dia dos pais

Eu queria poder dizer a meu pai que o amo e o quanto ele é importante, mas não disse porque não sei o que é amor  e não sei o que é importância.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Hilda Hist's

Pois pode ser.Para pensar o Outro, eu deliro ou versejo.Pensá-LO é gozo. Então não sabes? INCORPÓREO É O DESEJO.

sábado, 4 de agosto de 2012

Por favor, meu amor - que não é meu amor
me cometa
me poetize
me deslize
me erre
me cometa-me cometa

Querias ouvir minha voz. Noturna eu, através da hélice de um ventilador dizia. O que dizia eu mesmo? Esqueci. Meu amor-que não é meu amor, me perdoe pois sou um ser, uma sera louca, uma sera sem sentido. Vestal, bestial. Não te corresponderei ao teu jeito; corresponderei ao meu, e assim torço para que percebas minhas nuances. Se assim não for, tome nota de que não vou sofrer pois sob meus pés tem brasa e o meu sangue é doce lava de vulcão. A música cigana embala meu sono e minha vigília. Boa noite, meu povo e bom dia para sempre!