Que blog é esse?



Silenciosamente a raíz procura.

Me interessa o que dá impulso

a origem, o fulgor

o Quem por detrás.

"Pois cada um de nós sofre com a idéia de desaparecer, sem ser ouvido e notado, num universo indiferente, e por isso quer, enquanto ainda é tempo, transformar a si mesmo em seu próprio universo de palavras". Milan Kundera



sábado, 24 de dezembro de 2011

Queixa a um sapato

Um pouco nostálgica no natal...
Estou com fome e arrumada. Meu vestido é vermelho e pus um casaco branco por cima porque senti frio, motivo pelo qual fiquei meio quadrada. Fiquei sem as curvas femininas. Também não estou de salto alto, porque embora seja razoável em termos de equilíbrio físico, me desequilibro fácil quando sei que estou me traindo. É sim... eu até penso em traição porque sou fiel e não admito a infidelidade dos meus pés. Eu lamento que ele esteja comendo os meus pés, que ele seja tão voraz e que no fundo mesmo ele não me queira; ele quer o asfalto.
Quanto à fome, não serei nada suave. Comerei imediatamente todos os salgadinhos e docinhos que me agradarem. Sou fiel ao meu estômago.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Como fazer uma caixa de poeminhas dadaísticos anti-ísta

1- Pegue revistas cujo conteúdo seja pop e científico
2- Comece a recortar palavras que lhe chamam atenção. Não se esqueça de recortar verbos de ligação, conjunções e artigos.

3- Peça doação de caixa de fósforo a sua rede social

4- Cole as palavrinhas em pequenas tiras de papel e misture-as dentro da caixinha. Está pronta a sua caixa de poemas dadaísticos anti-ísticos. Chame os seus amigos para fazer um sarau.

(Use tesoura sem ponta!)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Começando a registrar a vida das coisas

as coisas que são minhas e são do mundo, como por exemplo o meu instrumento útero-musical. Ele está em cima da peça da televisão provisoriamente. O que acontece é que passou a ser guarda-volumes. Eu mesma é que ponho dentro dele coisas pequenas que poderiam se quebrar com facilidade. Da última vez guardei lá sementes de atemóia. Então pensei... não é que ele é mesmo um útero? Não é que  pode abrigar e proteger coisas?
Sabe o que está sob nosso controle? Nada. A coisa tem alma; todas as coisas tem uma alma, mesmo que rudimentar. Elas estão o tempo todo falando com a gente.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Construção




Estou fazendo registros fotográficos do meu atelier em processo de reforma. 
Está sendo uma experiência estética muito rica. Os matériais de construção descartados quando velhos e usados se desprendem de sua função e se impõem como pura forma, cor e movimento. Cada buraco no concreto é um buraco certo - janela para o interior da pele maquiada que é a parede. As inscrições nela contidas para o leigo ou a leiga se revelam como sinais, signos misteriosos ou abstrações do pensamento.

Chifre